SURF À REMO

   Um dos esportes de prancha mais tradicionais do mundo comemora uma fase inédita. Criado nos anos 30, o paddle stand up surf, ou surfe a remo, passou por um fiasco nas últimas décadas, quando as pranchinhas começaram a dominar as praias. Mas o retorno foi em grande estilo. Agora, ídolos como Kelly Slater, Mark Occhilupo e Laird Hamilton são alguns dos garotos-propaganda. A brasileira Maria Bela, que já foi casada com Hamilton, tem um projeto social no Havaí.

A ascensão do surfe a remo começou há três anos, quando o esporte foi incluído na tradicional travessia entre as ilhas havaianas Molokai e Oahu. Trata-se de um percurso de 32 milhas no canal mais misterioso e perigoso do Pacífico.

- Como os participantes da travessia são todos surfistas, nos adaptamos à prancha, virou moda e, na minha opinião, vai ter mais adeptos do que o longboard ou o funboard - conta Maria Bela.

Maria tem certa razão. O surfe a remo é considerado mais fácil do que o convencional. Segundo ela, um iniciante consegue ficar em pé na prancha após duas horas de treino. Mais uma hora e já é possível descer uma onda. As ondas, aliás, compõem uma das modalidades do surfe a remo. A outra, já citada, é a de distância.

Com o remo, o surfista consegue pegar mais ondas do que com uma prancha normal. Ondas grandes? Basta ter coragem.

- O remo é como um motor invisível e sem barulho, mas com a força e energia do nosso próprio corpo, podemos surfar ondas bem grandes, quase quanto com o jet ski.


No Havaí, Maria coordena um projeto para levar o surfe a crianças pouco favorecidas. Funciona assim: ela ensina pessoas que têm condições de pagar pelas aulas e pede para que os alunos virem padrinhos de crianãs pouco favorecidas.

- Se conseguimos a conexão de pelo menos uma criança, se essa continuar e se viciar no mar, será menos uma pessoa vulnerável aos perigos de droga e violência...

Mas com o crescimento do número de praticantes, cresce também o "crowd", ou seja: as praias ficam cheias de surfistas. Tal situação, muitas vezes, vira problema.

- Espero que todos surfem com o coração e não com egoísmo. Assim teremos certeza de que esse novo esporte será amado e respeitado por tal nomes e por todos nós que vivemos do oceano - diz. 

fonte : O Globo