Artigos do Prof. Rogério
Portadores de deficiência e o esporte
Os primeiros registros de esporte para pessoas portadoras de deficiência ou portadoras de necessidades especiais, foram encontrados em 1918 na Alemanha, nos quais consta que um grupo de soldados alemães que se tornaram portadores de deficiência física após a 1ª guerra, reuniu-se para praticar tiro e arco e flecha. Também na América, pelo mesmo motivo, surgiu um grande número de pessoas portadoras de deficiência e nos hospitais, a PVA, Paralyzed Veterans of America (Veteranos Paralisados da América), começaram a se organizar e desenvolver atividades esportivo-recreativas.
Os anos se passaram, mas os benefícios são os mesmos. Através do esporte, o portador de deficiência obtém um ganho enorme, tanto no âmbito físico, devido à prática de uma atividade que lhe desenvolverá uma melhora motora, trabalhando força, resistência e agilidade, quanto no âmbito psico-social, pois dinamizará sua inserção em sociedade, melhorando sua auto-estima, dando-lhe um suporte que o ajudará neste novo desafio, conhecendo pessoas, vivendo feliz.
Em nossas escolas, devemos sempre incentivar a participação dos portadores de deficiência nas aulas de educação física, pois mediante pequenas adaptações, conseguimos facilmente incluir estes alunos em atividades abertas a toda a classe, provando que os mesmos, apesar de tudo, são muito eficientes.
Em tempo→ Em 2004, a XII Paraolimpíada foi realizada em Atenas, Grécia com a participação de 98 atletas para 13 modalidades. A delegação brasileira obteve a 14ª colocação, consagrando-se com 14 medalhas de ouro, 12 de prata e 7 de bronze sendo o maior numero de medalhas obtido pelo país em jogos paraolímpicos.
A hidratação na prática de exercícios físicos
A água que bebemos é a fonte de hidratação para nosso corpo. Ao urinar, defecar, respirar, transpirar e em diversas outras atividades metabólicas o corpo utiliza e elimina água. Sem uma forma de armazenar água em quantidade para suprir nossas necessidades, devemos ingerir cerca de 2 a 3 litros de água por dia em doses regulares, sendo que, pessoas expostas a situações especiais (praticantes de esportes, expostas ao sol, calor intenso, etc.) devem aumentar a ingestão de líquidos de forma significativa.
Ao praticarmos atividades físicas, perdemos grande quantidade de água pela pele (transpiração) na intenção de reduzir a temperatura corporal que se eleva devido ao esforço. Quanto maior o calor gerado pelo corpo, maior a quantidade de água eliminada, o que aumenta o risco de desidratação.
Felizmente não tenho mais visto “atletas de fim de semana”, encasacados, correndo sob sol de meio-dia com a intenção de emagrecer. Pois tal pratica só beneficia lutadores desesperados que necessitam baixar seu peso urgentemente antes da pesagem para se enquadrar em determinadas categorias, mesmo que esta perda de peso represente apenas perda de liquido e eletrólitos. Devemos beber água antes, durante e depois dos exercícios. A correta hidratação garante melhor rendimento na atividade física e uma boa recuperação.
Efeitos do excesso de atividade física em crianças
Nadadora profissional desde os 7 anos, a americana Alex Glashow nadava 7.400 metros diariamente até seu ombro começar a doer. Com o tempo, ela aprendeu a deslocar seu ombro intencionalmente para diminuir a dor dentro d’água. Após cirurgia de ombro e um ano de fisioterapia, Glashow encerrou sua carreira de nadadora profissional aos 15 anos.
Doutores em medicina esportiva pediátrica afirmam que é como se fosse uma nova “doença de infância”, e que a causa é a cultura super agressiva do esporte juvenil organizado.
Como uma epidemia, as lesões típicas variam entre fraturas por stress, disfunções nos discos de crescimento, patelas rachadas e lesões nos tendões dos calcanhares.
Dr. Angela Smith, cirurgiã ortopédica do hospital infantil da Filadélfia (EUA), afirma que os pais vêm levando seus filhos ao excesso, em busca de uma bolsa universitária ou pelo sonho de uma carreira profissional.
O maior problema em se ater a um esporte somente levando seu treinamento ao extremo é que podemos criar um desequilíbrio entre os grupamentos musculares.
Utilizando-se das mesmas técnicas, dos mesmos exercícios durante um ano inteiro, não há descanso nem recuperação das partes do corpo que são super exigidas. O que resulta mais cedo ou mais tarde em lesões.
Há propósito, Alex Glashow ainda vai à piscina, ajudando como salva-vidas. Ela tentou praticar mergulho, mas isso incomodava seu ombro. Atualmente ela devota seu tempo a outro esporte, o ski.
Fonte: New York Times(02/22/05).
Psicologia no esporte para crianças
Hoje em dia, é comum vermos crianças praticando esportes de forma competitiva.Estudiosos afirmam que devemos despertar, o quanto antes, habilidades, valências físicas, potencializando-as através dos movimentos técnicos dos esportes em questão.
Seja pelo futebol, natação, vôlei, basquete ou atletismo, estamos nos habituando a ver meninos e meninas se dedicando como gente grande e embarcando em carreiras precoces. Porém, devemos agir sempre com cautela e equilíbrio.
Corpo e mente compõem uma mesma unidade, se interdependendo e inter-relacionando `a todo o momento. Portanto sintomas como depressão, ansiedade, raiva, fadiga ou baixa auto-estima indicam que algo não vai bem. Pois o treinamento rigoroso aliado ao excesso de cobranças de um esporte competitivo (de resultados) podem acarretar num efeito inverso ao desejado.
Esporte para crianças deve ser sinônimo de lazer, divertimento, bem estar e não sacrifício extremo ou obrigação. Procure sempre um profissional habilitado e confie no seu bom senso.
Dúvidas, perguntas, sugestões: profrfs@hotmail.com
Rogério F. Souza
CREF1: 4299-GRJ